Como emitir · Remessas e retornos
Como emitir nota de industrialização por encomenda (remessa e retorno)
Quem encomenda envia os insumos com NF-e de remessa para industrialização (CFOP 5901 no estado ou 6901 para outro estado). Quem industrializa devolve o produto pronto com uma nota de dois tipos de item: o retorno dos insumos recebidos (5902 ou 6902), pelo mesmo valor da remessa, e a cobrança da industrialização (5124), com o valor dos materiais próprios e da mão de obra. Quem encomendou lança esses itens com 1902 e 1124 (ou 2902 e 2124). Se o fornecedor entrega os insumos direto no industrializador, a cobrança usa 5125.
O roteiro de notas quando o insumo vai direto do fornecedor ao industrializador está no art. 42 do Convênio SINIEF s/nº 1970. A tributação (suspensão do ICMS na remessa, ICMS ou ISS na industrialização) depende da UF e do caso.
- Documento
- NF-e (modelo 55)
- Finalidade
- 1: normal
Prazo: O prazo de retorno com suspensão do ICMS está no RICMS da UF. Não há prazo nacional único.
Regras conferidas nas fontes oficiais em .
CFOP aplicáveis
| CFOP | Quando usar | Descrição oficial (Convênio SINIEF) |
|---|---|---|
| 5901 | Encomendante remete insumos para industrialização no estado | Remessa para industrialização por encomenda. |
| 6901 | Remessa de insumos para industrializador de outro estado | Remessa para industrialização por encomenda. |
| 1901 | Industrializador lança a entrada dos insumos | Entrada para industrialização por encomenda. |
| 5902 | Industrializador devolve os insumos aplicados no produto | Retorno de mercadoria utilizada na industrialização por encomenda. |
| 6902 | Retorno dos insumos a encomendante de outro estado | Retorno de mercadoria utilizada na industrialização por encomenda. |
| 5124 | Industrializador cobra a industrialização (materiais próprios e serviço) | Industrialização efetuada para outra empresa. |
| 5125 | Cobrança quando os insumos vieram direto do fornecedor, sem passar pelo encomendante | Industrialização efetuada para outra empresa quando a mercadoria recebida para utilização no processo de industrialização não transitar pelo estabelecimento adquirente da mercadoria. |
| 1902 | Encomendante lança o retorno dos insumos | Retorno de mercadoria remetida para industrialização por encomenda. |
| 1124 | Encomendante lança a industrialização cobrada | Industrialização efetuada por outra empresa. |
| 2124 | Industrialização cobrada por empresa de outro estado | Industrialização efetuada por outra empresa. |
Para industrializador de outro estado, a cobrança em 6124 segue a mesma lógica do 5124. Insumo que se perde no processo pede tratamento próprio, definido com a contabilidade.
CST e CSOSN mais comuns
- CST 50Remessa (5901) e retorno de insumos (5902) com suspensão, no regime normal
- CSOSN 900Remessa e retorno de insumos no Simples Nacional
- CST 00Cobrança da industrialização (5124) tributada, no regime normal
- CSOSN 101Cobrança da industrialização por empresa do Simples, quando a contabilidade indica
Há discussão sobre a incidência de ICMS ou de ISS na industrialização por encomenda conforme o destino do produto. O IPI também tem regras próprias de suspensão. Confirme com a contabilidade, porque o tratamento muda conforme a UF, o regime e o produto.
As notas dos dois lados
| Momento | Quem emite | Itens e CFOP | Quem lança a entrada |
|---|---|---|---|
| Envio dos insumos | Encomendante | 5901 ou 6901, valor dos insumos | Industrializador: 1901 ou 2901 |
| Devolução do produto pronto | Industrializador | Item 1: insumos recebidos, 5902 ou 6902; item 2: industrialização, 5124 | Encomendante: 1902 e 1124 (ou 2902 e 2124) |
Na nota de retorno, o valor dos insumos repete o da remessa; o valor cobrado é o dos materiais do industrializador mais o serviço.
Quando o insumo vai direto do fornecedor (art. 42)
- 1O fornecedor emite a nota de venda em nome do encomendante, com o nome e as inscrições do industrializador e a indicação de que o produto se destina à industrialização, com IPI e ICMS quando devidos.
- 2O fornecedor emite outra nota, sem destaque de impostos, para acompanhar o transporte até o industrializador, citando a nota de venda e o encomendante.
- 3O industrializador devolve o produto ao encomendante com nota que indica o fornecedor, a nota dele, o valor da mercadoria recebida e o valor total cobrado (CFOP 5125 para a parte cobrada).
Exemplo
Uma marca de roupas de Blumenau compra tecido e envia 500 metros a uma facção catarinense, com NF-e 5901 (valor do tecido, suspensão do ICMS). A facção corta e costura 300 camisetas e devolve com NF-e: item 1, tecido aplicado, 5902, mesmo valor da remessa; item 2, industrialização, 5124, com linhas, etiquetas e mão de obra. A marca lança 1902 e 1124 e as camisetas entram no estoque. (Redação Beevix, exemplo ilustrativo)
Passo a passo da emissão
- 1Defina a tributação com a contabilidade. Suspensão na remessa, ICMS ou ISS na industrialização e IPI, antes da primeira nota.
- 2Remeta os insumos. CFOP 5901 ou 6901, quantidade e valor de cada insumo.
- 3Controle o saldo no industrializador. Os insumos continuam sendo seus até voltarem no produto.
- 4Receba o produto pronto. Nota com retorno dos insumos (5902) e cobrança da industrialização (5124).
- 5Lance as entradas. 1902 para o retorno e 1124 para o valor cobrado; o produto acabado entra no estoque.
Erros comuns
- Cobrar tudo em 5902. O 5902 só devolve os insumos recebidos. O valor agregado vai em 5124 ou 5125.
- Retorno com valor diferente da remessa. O item de retorno repete o valor dos insumos remetidos; diferença quebra o controle da suspensão.
- Remessa para outro estado com 5901. Industrializador em outra UF pede 6901.Rejeição 733: Rejeição: CFOP de operação interna e idDest <> 1
- CSOSN que não combina com o CFOP. Algumas UFs validam CSOSN e CFOP de remessa e retorno.Rejeição 386: Rejeição: CFOP não permitido para o CSOSN informado [nItem: nnn]
Beevix
Como fazer no Beevix
No Beevix, a ordem de produção registra os insumos e o produto acabado, e as NF-e de remessa e de retorno saem com os CFOP e a tributação configurados com a contabilidade.
O estoque separa o que está com o industrializador do que está na fábrica, e a entrada do produto pronto atualiza o saldo.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre 5902 e 5124?
O 5902 devolve a mercadoria que o encomendante enviou, pelo mesmo valor da remessa. O 5124 cobra a industrialização: materiais do industrializador e serviço.
Quando usar o 5125?
Quando a mercadoria usada na industrialização não passou pelo estabelecimento de quem encomendou, porque veio direto do fornecedor, no roteiro do art. 42 do Convênio SINIEF s/nº 1970.
Tem ICMS na remessa para industrialização?
Em regra, a remessa e o retorno dos insumos têm suspensão do ICMS no RICMS, com prazo de retorno. A cobrança da industrialização pode ter ICMS ou ISS, conforme o caso.
Para se aprofundar
Fontes oficiais
- Convênio SINIEF s/nº, de 15/12/1970 (arts. 7º, 21, 40, 41, 42 e 54), Confaz (consultado em 07/10/2026)
- Anexo II do Convênio SINIEF s/nº 1970: tabela de CFOP, redação do Ajuste SINIEF 03/24, Confaz (consultado em 07/10/2026)
- Manual de Orientação do Contribuinte (MOC) 7.0, Anexo I: leiaute e regras de validação da NF-e e da NFC-e, Portal da NF-e (consultado em 07/10/2026)
Confirme com a sua contabilidade. Este guia parte das normas nacionais citadas e não substitui a análise do seu caso. CST, CSOSN, benefícios, suspensões e prazos de retorno mudam conforme o estado (RICMS), o regime tributário e o produto.
Outros guias de emissão
- Remessa para consertoComo emitir nota fiscal de remessa para consertoCFOP 5915 ou 6915, suspensão do ICMS e o que a nota precisa trazer para o retorno.Ver o guia
- ConsignaçãoComo emitir nota fiscal de consignação mercantilRemessa, venda, simples faturamento e devolução pelo Ajuste SINIEF 02/93.Ver o guia
- Transferência entre filiaisComo emitir nota fiscal de transferência entre filiaisCFOP 5152 ou 6152, sem fato gerador, crédito pelo Convênio 109/24 e a opção anual.Ver o guia
- Devolução de compraComo emitir nota fiscal de devolução de compra ao fornecedorNF-e de saída para o fornecedor, CFOP espelho da compra e mesma tributação.Ver o guia