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Artigo

Conciliação de cartão: como conferir a maquininha

Passo a passo da conciliação de cartão: venda, taxa e repasse da maquininha conferidos contra o PDV e o extrato, com exemplo e erros comuns.

Equipe Beevix9 min de leitura
Dona de padaria compara o relatório da maquininha com a planilha no notebook
Dona de padaria compara o relatório da maquininha com a planilha no notebook

A conciliação de cartão é a conferência entre o que a loja vendeu no cartão, o que a maquininha diz que vai pagar e o que de fato caiu na conta, venda por venda. Ela responde a três perguntas: a taxa cobrada é a do contrato? O dinheiro entrou na data prometida? Alguma venda sumiu, foi cancelada ou estornada? Para uma loja pequena, o jeito mais seguro é conferir as vendas do dia contra o relatório da credenciadora no dia seguinte e conferir os repasses contra o extrato bancário toda semana.

Novembro e dezembro concentram o maior volume de vendas no cartão do ano, e é justamente quando os erros passam despercebidos: venda passada duas vezes, parcela que não caiu, taxa de crédito parcelado aplicada no débito. Este passo a passo mostra o que conferir, onde achar cada informação e como montar uma rotina que cabe em 15 minutos por dia.

O que você confere na conciliação de cartão

São três momentos de uma mesma venda, e cada um gera um registro diferente:

MomentoOnde apareceO que conferir
Venda (autorização)PDV ou sistema de vendas, comprovante da maquininhaValor, bandeira, modalidade (débito, crédito à vista, parcelado) e número de parcelas
Agenda da credenciadoraPortal ou app da maquininha, relatório de vendas e de recebíveisTaxa aplicada (MDR), valor líquido, data prevista de cada parcela
LiquidaçãoExtrato da conta bancária ou da conta digitalSe o valor líquido caiu na data prevista e se houve desconto de aluguel, chargeback ou antecipação

A conciliação só fecha quando os três batem. Venda registrada no PDV sem par na agenda pode ser transação que não foi aprovada. Repasse no extrato menor que o previsto pode ser taxa errada, aluguel descontado ou contestação do cliente.

Passo a passo da conciliação de cartão

1. Feche o caixa separando as vendas por modalidade

No fechamento do dia, separe o total de débito, crédito à vista e crédito parcelado, e anote quantas vendas houve em cada um. Se o PDV registra a forma de pagamento em cada venda, esse total sai pronto. Se a loja usa mais de uma maquininha, separe também por credenciadora.

2. Compare com o relatório de vendas da maquininha no dia seguinte

Baixe o relatório de vendas do dia no portal da credenciadora. Confira quantidade de transações e valor bruto por modalidade. Diferença aqui geralmente é venda cancelada na maquininha e não no PDV, venda passada duas vezes ou venda registrada como Pix no sistema e paga no cartão.

3. Confira a taxa de cada modalidade

Pegue o contrato ou a tabela de taxas que a credenciadora enviou e confira a taxa aplicada em algumas vendas de cada modalidade. Um erro de cadastro, como crédito parcelado cobrado com a taxa de outra faixa, se repete em todas as vendas até alguém perceber.

4. Confira as datas previstas de pagamento

Débito costuma cair no dia útil seguinte e crédito à vista em cerca de 30 dias, mas o prazo é o do seu contrato. No parcelado, cada parcela tem uma data. Se você contratou recebimento antecipado automático, o prazo e a taxa mudam, e isso também precisa estar no relatório.

5. Concilie os repasses com o extrato bancário

Uma vez por semana, compare os créditos da credenciadora no extrato com a agenda de recebíveis. Credenciadoras costumam depositar um valor só por dia, somando várias vendas. Por isso a conferência é do total previsto para aquele dia contra o total que entrou.

6. Trate as diferenças na mesma semana

Para cada diferença, abra um registro: data, valor, motivo provável e protocolo de atendimento. Contestação de taxa ou de repasse fica mais difícil quanto mais tempo passa.

Mãos seguram o comprovante da maquininha ao lado do notebook no balcão

Diferenças mais comuns e o que fazer

Diferença encontradaCausa provávelO que fazer
Venda no PDV que não aparece na maquininhaTransação negada e cliente pagou de outra forma, ou venda lançada erradoCorrija a forma de pagamento no sistema
Venda na maquininha que não está no PDVVenda passada sem registro, ou cobrança em duplicidadeLocalize o comprovante; se for duplicada, cancele e devolva ao cliente
Taxa maior que a do contratoCadastro errado na credenciadora ou mudança de planoAbra chamado com o contrato em mãos e peça o estorno da diferença
Repasse menor que o previstoAluguel da máquina, chargeback, antecipação ou tarifa descontadaVeja o detalhamento do repasse no portal
Repasse em data diferenteFeriado, prazo contratado diferente do esperado ou recebíveis negociados como garantiaConfira o contrato e a agenda de recebíveis
Parcela que não caiuCancelamento parcial, contestação do cliente ou erro de agendaPeça à credenciadora o status da transação

Exemplo: um dia de vendas de uma padaria

Exemplo da Redação Beevix (2026), com taxas hipotéticas, só para mostrar a conta. Uma padaria vendeu R$ 3.480,00 em cartão num sábado, com estas taxas no contrato: débito 1,5%, crédito à vista 3% e crédito em 3 vezes 4,5%.

ModalidadeValor brutoTaxaValor da taxaValor líquidoQuando cai
DébitoR$ 1.200,001,5%R$ 18,00R$ 1.182,00Próximo dia útil
Crédito à vistaR$ 1.500,003%R$ 45,00R$ 1.455,00Cerca de 30 dias
Crédito 3xR$ 780,004,5%R$ 35,10R$ 744,903 parcelas de R$ 248,30
TotalR$ 3.480,00R$ 98,10R$ 3.381,90

Conferência: R$ 18,00 + R$ 45,00 + R$ 35,10 = R$ 98,10. R$ 3.480,00 − R$ 98,10 = R$ 3.381,90. No crédito parcelado, R$ 744,90 ÷ 3 = R$ 248,30 por parcela.

Agora suponha que, na segunda-feira, o extrato mostre R$ 1.164,00 de repasse do débito, e não R$ 1.182,00. A diferença de R$ 18,00 corresponde a mais 1,5% sobre R$ 1.200,00. Ou seja, o débito foi cobrado a 3%, a taxa do crédito. É o tipo de erro que só aparece na conciliação e que, num mês de 25 dias de venda parecidos, somaria R$ 450,00.

Para simular as taxas do seu contrato, use a calculadora de taxa de maquininha.

"Quem só olha o saldo da conta no fim do mês não vê a taxa errada. Ela aparece quando você compara a venda de um dia com o repasse daquele dia." Equipe Beevix, redação de gestão

Conciliação de cartão em planilha ou em sistema

Dá para fazer em planilha. Uma aba para as vendas do PDV, outra para o relatório da credenciadora e outra para o extrato, com uma coluna de "conferido". Funciona bem para quem tem uma maquininha e poucas dezenas de vendas por dia. O problema aparece quando a loja tem duas ou três credenciadoras, vende parcelado e antecipa recebíveis: o volume de linhas cresce rápido e a planilha passa a depender de copiar e colar todos os dias.

CritérioPlanilhaSistema com conciliação
CustoTempo da equipeMensalidade do sistema
Volume que aguentaPoucas vendas por dia, uma maquininhaVárias credenciadoras e parcelamentos
Ligação com a vendaManual, pelo valor e horárioPela venda registrada no PDV
Risco de erroAlto em semanas de picoMenor, mas exige cadastro certo das taxas

Se a planilha ainda atende, a planilha de fechamento de caixa ajuda a separar as vendas por modalidade no fim do dia. O verbete de conciliação de cartão no glossário resume os termos usados pelas credenciadoras.

Operadora de caixa de mercadinho confere comprovantes no fechamento do dia
Na prática

Venda do PDV ligada ao extrato

No Beevix, cada venda registra a forma de pagamento, e a conciliação bancária confere os créditos do extrato com as contas a receber.

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Rotina de 15 minutos para as semanas de pico

  • Todo dia, no fechamento: total por modalidade e por maquininha no PDV.
  • Todo dia, pela manhã: relatório de vendas do dia anterior na credenciadora, conferindo quantidade e valor bruto.
  • Toda segunda-feira: repasses da semana contra o extrato e contra a agenda de recebíveis.
  • Todo mês: taxa média efetiva por modalidade, aluguel das máquinas e custo de antecipação. Se a taxa média subiu sem você mudar de plano, cobre explicação.
  • Antes de negociar taxa: leve o volume mensal por modalidade, tirado da conciliação. É o argumento que a credenciadora considera.

O que a conciliação mostra além dos erros

Com alguns meses de conciliação feita, você passa a saber quanto o cartão custa de verdade para a loja. Esse número entra na formação de preço, na decisão de dar desconto no Pix (a Lei 13.455/2017 autoriza preço diferente por forma de pagamento, desde que informado ao cliente) e no planejamento de caixa, porque mostra quanto da venda de dezembro só entra em janeiro e fevereiro. Para separar o que já entrou do que ainda vai entrar, a planilha de fluxo de caixa é um bom começo, e o guia de fluxo de caixa para pequenas empresas mostra como montar a projeção. Se você quer reduzir a fatia do cartão nas vendas a prazo, veja também como funciona o Pix parcelado.

No Beevix, a conciliação bancária confere os lançamentos do extrato com contas a receber, e o financeiro mostra o fluxo de caixa com os recebimentos previstos. Se você quer ver como isso funciona no seu ramo, consulte os segmentos atendidos.

Fontes oficiais

Perguntas frequentes

Com que frequência devo fazer a conciliação de cartão?

As vendas, todo dia, contra o relatório da credenciadora. Os repasses, pelo menos uma vez por semana, contra o extrato. Em lojas com muito parcelado, vale conferir também a agenda de recebíveis no começo de cada mês.

O que é MDR na conciliação?

É a taxa que a credenciadora desconta de cada venda no cartão, em percentual. Ela varia por modalidade (débito, crédito à vista, parcelado) e às vezes por bandeira. É o principal número a conferir contra o contrato.

Por que o valor que caiu na conta é diferente da soma das vendas?

Porque o repasse vem líquido de taxa e pode trazer descontos de aluguel da máquina, antecipação, chargeback ou cancelamentos. Além disso, as credenciadoras costumam somar várias vendas num depósito só. O detalhamento do repasse no portal mostra cada desconto.

O que fazer quando encontro taxa cobrada errada?

Separe as vendas afetadas, calcule a diferença, abra chamado na credenciadora com o contrato ou a tabela de taxas em mãos e anote o protocolo. Peça o estorno da diferença e a correção do cadastro.

Conciliação de cartão e conciliação bancária são a mesma coisa?

Não. A conciliação bancária confere todos os lançamentos do extrato com o financeiro da empresa. A de cartão é uma parte dela, focada em vendas, taxas e repasses das maquininhas.

Próximo passo: comece pela próxima semana

Escolha uma semana, baixe os relatórios da maquininha e compare com as vendas e com o extrato. Se aparecer diferença, você já sabe por onde começar. Para registrar a forma de pagamento em cada venda e conciliar o extrato no mesmo sistema do PDV, veja os planos do Beevix ou fale com um especialista do Beevix.

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