Artigo
Conciliação de cartão: como conferir a maquininha
Passo a passo da conciliação de cartão: venda, taxa e repasse da maquininha conferidos contra o PDV e o extrato, com exemplo e erros comuns.

A conciliação de cartão é a conferência entre o que a loja vendeu no cartão, o que a maquininha diz que vai pagar e o que de fato caiu na conta, venda por venda. Ela responde a três perguntas: a taxa cobrada é a do contrato? O dinheiro entrou na data prometida? Alguma venda sumiu, foi cancelada ou estornada? Para uma loja pequena, o jeito mais seguro é conferir as vendas do dia contra o relatório da credenciadora no dia seguinte e conferir os repasses contra o extrato bancário toda semana.
Novembro e dezembro concentram o maior volume de vendas no cartão do ano, e é justamente quando os erros passam despercebidos: venda passada duas vezes, parcela que não caiu, taxa de crédito parcelado aplicada no débito. Este passo a passo mostra o que conferir, onde achar cada informação e como montar uma rotina que cabe em 15 minutos por dia.
O que você confere na conciliação de cartão
São três momentos de uma mesma venda, e cada um gera um registro diferente:
| Momento | Onde aparece | O que conferir |
|---|---|---|
| Venda (autorização) | PDV ou sistema de vendas, comprovante da maquininha | Valor, bandeira, modalidade (débito, crédito à vista, parcelado) e número de parcelas |
| Agenda da credenciadora | Portal ou app da maquininha, relatório de vendas e de recebíveis | Taxa aplicada (MDR), valor líquido, data prevista de cada parcela |
| Liquidação | Extrato da conta bancária ou da conta digital | Se o valor líquido caiu na data prevista e se houve desconto de aluguel, chargeback ou antecipação |
A conciliação só fecha quando os três batem. Venda registrada no PDV sem par na agenda pode ser transação que não foi aprovada. Repasse no extrato menor que o previsto pode ser taxa errada, aluguel descontado ou contestação do cliente.
Passo a passo da conciliação de cartão
1. Feche o caixa separando as vendas por modalidade
No fechamento do dia, separe o total de débito, crédito à vista e crédito parcelado, e anote quantas vendas houve em cada um. Se o PDV registra a forma de pagamento em cada venda, esse total sai pronto. Se a loja usa mais de uma maquininha, separe também por credenciadora.
2. Compare com o relatório de vendas da maquininha no dia seguinte
Baixe o relatório de vendas do dia no portal da credenciadora. Confira quantidade de transações e valor bruto por modalidade. Diferença aqui geralmente é venda cancelada na maquininha e não no PDV, venda passada duas vezes ou venda registrada como Pix no sistema e paga no cartão.
3. Confira a taxa de cada modalidade
Pegue o contrato ou a tabela de taxas que a credenciadora enviou e confira a taxa aplicada em algumas vendas de cada modalidade. Um erro de cadastro, como crédito parcelado cobrado com a taxa de outra faixa, se repete em todas as vendas até alguém perceber.
4. Confira as datas previstas de pagamento
Débito costuma cair no dia útil seguinte e crédito à vista em cerca de 30 dias, mas o prazo é o do seu contrato. No parcelado, cada parcela tem uma data. Se você contratou recebimento antecipado automático, o prazo e a taxa mudam, e isso também precisa estar no relatório.
5. Concilie os repasses com o extrato bancário
Uma vez por semana, compare os créditos da credenciadora no extrato com a agenda de recebíveis. Credenciadoras costumam depositar um valor só por dia, somando várias vendas. Por isso a conferência é do total previsto para aquele dia contra o total que entrou.
6. Trate as diferenças na mesma semana
Para cada diferença, abra um registro: data, valor, motivo provável e protocolo de atendimento. Contestação de taxa ou de repasse fica mais difícil quanto mais tempo passa.

Diferenças mais comuns e o que fazer
| Diferença encontrada | Causa provável | O que fazer |
|---|---|---|
| Venda no PDV que não aparece na maquininha | Transação negada e cliente pagou de outra forma, ou venda lançada errado | Corrija a forma de pagamento no sistema |
| Venda na maquininha que não está no PDV | Venda passada sem registro, ou cobrança em duplicidade | Localize o comprovante; se for duplicada, cancele e devolva ao cliente |
| Taxa maior que a do contrato | Cadastro errado na credenciadora ou mudança de plano | Abra chamado com o contrato em mãos e peça o estorno da diferença |
| Repasse menor que o previsto | Aluguel da máquina, chargeback, antecipação ou tarifa descontada | Veja o detalhamento do repasse no portal |
| Repasse em data diferente | Feriado, prazo contratado diferente do esperado ou recebíveis negociados como garantia | Confira o contrato e a agenda de recebíveis |
| Parcela que não caiu | Cancelamento parcial, contestação do cliente ou erro de agenda | Peça à credenciadora o status da transação |
Exemplo: um dia de vendas de uma padaria
Exemplo da Redação Beevix (2026), com taxas hipotéticas, só para mostrar a conta. Uma padaria vendeu R$ 3.480,00 em cartão num sábado, com estas taxas no contrato: débito 1,5%, crédito à vista 3% e crédito em 3 vezes 4,5%.
| Modalidade | Valor bruto | Taxa | Valor da taxa | Valor líquido | Quando cai |
|---|---|---|---|---|---|
| Débito | R$ 1.200,00 | 1,5% | R$ 18,00 | R$ 1.182,00 | Próximo dia útil |
| Crédito à vista | R$ 1.500,00 | 3% | R$ 45,00 | R$ 1.455,00 | Cerca de 30 dias |
| Crédito 3x | R$ 780,00 | 4,5% | R$ 35,10 | R$ 744,90 | 3 parcelas de R$ 248,30 |
| Total | R$ 3.480,00 | R$ 98,10 | R$ 3.381,90 |
Conferência: R$ 18,00 + R$ 45,00 + R$ 35,10 = R$ 98,10. R$ 3.480,00 − R$ 98,10 = R$ 3.381,90. No crédito parcelado, R$ 744,90 ÷ 3 = R$ 248,30 por parcela.
Agora suponha que, na segunda-feira, o extrato mostre R$ 1.164,00 de repasse do débito, e não R$ 1.182,00. A diferença de R$ 18,00 corresponde a mais 1,5% sobre R$ 1.200,00. Ou seja, o débito foi cobrado a 3%, a taxa do crédito. É o tipo de erro que só aparece na conciliação e que, num mês de 25 dias de venda parecidos, somaria R$ 450,00.
Para simular as taxas do seu contrato, use a calculadora de taxa de maquininha.
"Quem só olha o saldo da conta no fim do mês não vê a taxa errada. Ela aparece quando você compara a venda de um dia com o repasse daquele dia." Equipe Beevix, redação de gestão
Conciliação de cartão em planilha ou em sistema
Dá para fazer em planilha. Uma aba para as vendas do PDV, outra para o relatório da credenciadora e outra para o extrato, com uma coluna de "conferido". Funciona bem para quem tem uma maquininha e poucas dezenas de vendas por dia. O problema aparece quando a loja tem duas ou três credenciadoras, vende parcelado e antecipa recebíveis: o volume de linhas cresce rápido e a planilha passa a depender de copiar e colar todos os dias.
| Critério | Planilha | Sistema com conciliação |
|---|---|---|
| Custo | Tempo da equipe | Mensalidade do sistema |
| Volume que aguenta | Poucas vendas por dia, uma maquininha | Várias credenciadoras e parcelamentos |
| Ligação com a venda | Manual, pelo valor e horário | Pela venda registrada no PDV |
| Risco de erro | Alto em semanas de pico | Menor, mas exige cadastro certo das taxas |
Se a planilha ainda atende, a planilha de fechamento de caixa ajuda a separar as vendas por modalidade no fim do dia. O verbete de conciliação de cartão no glossário resume os termos usados pelas credenciadoras.

Venda do PDV ligada ao extrato
No Beevix, cada venda registra a forma de pagamento, e a conciliação bancária confere os créditos do extrato com as contas a receber.
Ver planos do Beevix →Rotina de 15 minutos para as semanas de pico
- Todo dia, no fechamento: total por modalidade e por maquininha no PDV.
- Todo dia, pela manhã: relatório de vendas do dia anterior na credenciadora, conferindo quantidade e valor bruto.
- Toda segunda-feira: repasses da semana contra o extrato e contra a agenda de recebíveis.
- Todo mês: taxa média efetiva por modalidade, aluguel das máquinas e custo de antecipação. Se a taxa média subiu sem você mudar de plano, cobre explicação.
- Antes de negociar taxa: leve o volume mensal por modalidade, tirado da conciliação. É o argumento que a credenciadora considera.
O que a conciliação mostra além dos erros
Com alguns meses de conciliação feita, você passa a saber quanto o cartão custa de verdade para a loja. Esse número entra na formação de preço, na decisão de dar desconto no Pix (a Lei 13.455/2017 autoriza preço diferente por forma de pagamento, desde que informado ao cliente) e no planejamento de caixa, porque mostra quanto da venda de dezembro só entra em janeiro e fevereiro. Para separar o que já entrou do que ainda vai entrar, a planilha de fluxo de caixa é um bom começo, e o guia de fluxo de caixa para pequenas empresas mostra como montar a projeção. Se você quer reduzir a fatia do cartão nas vendas a prazo, veja também como funciona o Pix parcelado.
No Beevix, a conciliação bancária confere os lançamentos do extrato com contas a receber, e o financeiro mostra o fluxo de caixa com os recebimentos previstos. Se você quer ver como isso funciona no seu ramo, consulte os segmentos atendidos.
Fontes oficiais
- Lei 12.865/2013, art. 6º: arranjos e instituições de pagamento (inclui credenciamento), Planalto, consultado em 07/10/2026
- Lei 13.455/2017: preço diferenciado por prazo ou instrumento de pagamento, Planalto, consultado em 07/10/2026
- Banco Central do Brasil: arranjos de pagamento, consultado em 07/10/2026
Perguntas frequentes
Com que frequência devo fazer a conciliação de cartão?
As vendas, todo dia, contra o relatório da credenciadora. Os repasses, pelo menos uma vez por semana, contra o extrato. Em lojas com muito parcelado, vale conferir também a agenda de recebíveis no começo de cada mês.
O que é MDR na conciliação?
É a taxa que a credenciadora desconta de cada venda no cartão, em percentual. Ela varia por modalidade (débito, crédito à vista, parcelado) e às vezes por bandeira. É o principal número a conferir contra o contrato.
Por que o valor que caiu na conta é diferente da soma das vendas?
Porque o repasse vem líquido de taxa e pode trazer descontos de aluguel da máquina, antecipação, chargeback ou cancelamentos. Além disso, as credenciadoras costumam somar várias vendas num depósito só. O detalhamento do repasse no portal mostra cada desconto.
O que fazer quando encontro taxa cobrada errada?
Separe as vendas afetadas, calcule a diferença, abra chamado na credenciadora com o contrato ou a tabela de taxas em mãos e anote o protocolo. Peça o estorno da diferença e a correção do cadastro.
Conciliação de cartão e conciliação bancária são a mesma coisa?
Não. A conciliação bancária confere todos os lançamentos do extrato com o financeiro da empresa. A de cartão é uma parte dela, focada em vendas, taxas e repasses das maquininhas.
Próximo passo: comece pela próxima semana
Escolha uma semana, baixe os relatórios da maquininha e compare com as vendas e com o extrato. Se aparecer diferença, você já sabe por onde começar. Para registrar a forma de pagamento em cada venda e conciliar o extrato no mesmo sistema do PDV, veja os planos do Beevix ou fale com um especialista do Beevix.
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