Artigo
PEPS, PVPS e FEFO: como controlar a validade dos produtos
PEPS e PVPS decidem qual lote sai primeiro do estoque. Veja a diferença, o que a Anvisa e o CDC exigem e um exemplo de perda evitada com o PVPS (FEFO).

PEPS e PVPS são duas regras para decidir qual unidade sai primeiro do estoque. No PEPS (primeiro que entra, primeiro que sai, ou FIFO) sai o item que chegou antes. No PVPS (primeiro que vence, primeiro que sai, também chamado de FEFO) sai o item com a validade mais próxima, mesmo que tenha chegado depois. Para produto perecível, a regra que protege a margem e o cliente é o PVPS: a Anvisa manda que a utilização de matérias-primas respeite o prazo de validade e só aceita a ordem de entrada para itens dispensados de indicar validade (RDC 216/2004, item 4.7.5).
Na maioria dos dias as duas regras dão o mesmo resultado, porque o lote que chegou antes costuma vencer antes. O problema aparece quando um fornecedor entrega um lote com validade menor que o anterior, quando há devolução de cliente ou quando a loja compra de dois fornecedores. É aí que o PEPS manda para a prateleira o produto errado e o vencido aparece no fundo da gôndola.
PEPS, PVPS e FEFO: o que cada sigla quer dizer
As siglas circulam em português e em inglês e às vezes são misturadas. A tabela organiza o significado e o uso de cada uma.
| Sigla | Significado | Critério de saída | Quando usar |
|---|---|---|---|
| PEPS (FIFO) | Primeiro que entra, primeiro que sai | Data de entrada no estoque | Itens sem validade, como ferragens, roupas e eletrônicos; e alimentos dispensados de indicar validade |
| PVPS (FEFO) | Primeiro que vence, primeiro que sai | Data de validade do lote | Alimentos, bebidas, cosméticos, medicamentos, produtos de limpeza e tudo que tem validade impressa |
| UEPS (LIFO) | Último que entra, primeiro que sai | Entrada mais recente | Raro na operação física; aparece mais em discussões contábeis de custo |
Um cuidado: PEPS também é nome de método de custeio do estoque, que define qual custo vai para o CMV. Essa é uma escolha contábil, feita com o contador, e não precisa coincidir com a ordem física de separação. Uma loja pode avaliar o estoque por custo médio e, na prateleira, separar por PVPS. Os dois assuntos só se encontram no nome.
O que a lei diz sobre produto vencido
O Código de Defesa do Consumidor trata o produto vencido como impróprio. O art. 18, § 6º, I, diz que são impróprios ao uso e consumo "os produtos cujos prazos de validade estejam vencidos". Vender esse produto expõe a loja a reclamação, troca, multa de órgão de defesa do consumidor e fiscalização sanitária.
Para quem manipula alimentos, a Resolução RDC 216/2004 da Anvisa, que define as boas práticas para serviços de alimentação, é ainda mais direta. O item 4.7.5 diz que matérias-primas, ingredientes e embalagens devem ser armazenados identificados, "sendo que sua utilização deve respeitar o prazo de validade. Para os alimentos dispensados da obrigatoriedade da indicação do prazo de validade, deve ser observada a ordem de entrada dos mesmos." Em outras palavras: PVPS como regra e PEPS só quando não há validade.
A mesma norma pede, no item 4.7.4, que lotes vencidos sejam devolvidos ao fornecedor ou, se não der, identificados e guardados separados, com destinação definida. E nos itens 4.8.6 e 4.9.1 exige etiqueta com designação, data de preparo ou fracionamento e prazo de validade para produto aberto ou preparado. Restaurante, padaria e lanchonete precisam controlar a validade também do que sai da embalagem original.
Como aplicar o PVPS no dia a dia
PVPS não depende de sistema caro para começar, mas depende de disciplina em quatro pontos: receber, guardar, expor e conferir. Este é o roteiro que funciona em mercadinho, distribuidora e cozinha.
- Registre a validade na entrada. No recebimento, anote lote e validade de cada item perecível, não só a quantidade. Sem esse dado, ninguém consegue separar pelo vencimento depois.
- Guarde por validade, não por chegada. No depósito, o lote que vence antes fica na frente ou no nível de acesso mais fácil. Se o lote novo vence antes do antigo, ele passa na frente.
- Abasteça a gôndola puxando o antigo para a frente. O repositor coloca o produto novo atrás e traz o de validade mais curta para a frente. Em geladeira de porta, o mais curto fica no lado de abertura.
- Faça a ronda de vencimentos com dia fixo. Uma vez por semana, alguém percorre as seções com a lista do que vence nos próximos dias e confere se está na frente.
- Defina o que fazer antes de vencer. Combine uma janela (por exemplo, sete ou quinze dias antes) para promoção, uso na produção ou devolução ao fornecedor, conforme o acordo comercial.
- Registre a perda quando ela acontecer. Produto vencido descartado sai do estoque com motivo, para que o número de perdas apareça no fechamento do mês.

Exemplo: quando PEPS e PVPS dão resultados diferentes
Exemplo da Redação Beevix (2026), com valores hipotéticos. Um minimercado recebe iogurte de um mesmo fornecedor em dois dias:
| Lote | Entrada | Validade | Quantidade | Custo unitário |
|---|---|---|---|---|
| A | 05/10 | 20/10 | 60 unidades | R$ 3,00 |
| B | 06/10 | 14/10 | 60 unidades | R$ 3,00 |
O lote B chegou depois, mas vence seis dias antes. Suponha que a loja não tenha outro saldo do produto e venda 10 unidades por dia a partir de 06/10. Pelo PEPS, as 60 unidades do lote A saem primeiro e acabam em 11/10; o lote B só começa a sair em 12/10 e, até o fim do dia 14/10, vendem-se 30 unidades. Sobram 30 vencidas, uma perda de 30 × R$ 3,00 = R$ 90,00 só em custo. Pelo PVPS, o lote B sai primeiro e acaba em 11/10; o lote A sai de 12/10 a 17/10, ainda dentro da validade de 20/10. Perda: zero.
O exemplo é pequeno de propósito. Em uma loja com centenas de itens perecíveis, a mesma situação se repete toda semana em algum produto, e o total no fim do mês deixa de ser detalhe.
Planilha ou sistema: onde guardar lote e validade
Uma planilha resolve quando o número de itens perecíveis é pequeno e uma única pessoa cuida do estoque. O Beevix tem uma planilha de controle de validade gratuita para esse começo. O limite aparece quando a planilha deixa de conversar com as vendas: alguém precisa lembrar de baixar o lote certo a cada saída, e o saldo por validade descola do saldo real em poucos dias.
| Critério | Planilha | Sistema com lote e validade |
|---|---|---|
| Registro na entrada | Digitado à mão | Lote e validade informados na entrada da nota ou da compra |
| Baixa na venda | Manual, por lote | Automática pelo estoque |
| Lista do que vence | Filtro feito por alguém | Consulta por período a qualquer hora |
| Várias pessoas mexendo | Risco de versão errada | Um cadastro único |
| Perdas no fechamento | Somadas à parte | Registradas como saída com motivo |
O mais importante, em qualquer formato, é o dado de validade nascer na entrada. Sem isso, nem planilha nem sistema mostram o que vence. Para quem está montando o controle do zero, o guia de controle de estoque para pequenas empresas mostra a base antes de chegar à validade. Para registrar o lote de cada entrada e saber para quem ele foi vendido, veja o guia de controle de lote e rastreabilidade.
Validade e inventário: os dois controles se completam
O PVPS diz o que deve sair primeiro; o inventário confirma se o que está no sistema existe de fato. Uma contagem que confere apenas quantidade deixa passar lote vencido escondido no fundo da prateleira. Por isso vale incluir a conferência de validade na contagem cíclica dos perecíveis, seção por seção. O passo a passo de inventário de estoque sem parar a operação se aplica aqui.
A curva ABC também ajuda a priorizar. Itens de giro alto raramente vencem; o risco está nos de giro baixo e validade curta. Classificar os perecíveis com a curva ABC mostra onde concentrar a ronda de vencimentos e onde reduzir o lote de compra.
Validade é dado de entrada, não de prateleira. Se o lote e o vencimento não forem registrados quando a mercadoria chega, o PVPS vira tentativa e erro na hora de repor.
— Equipe Beevix, redação de conteúdo de gestão

Compras: a forma mais barata de evitar o vencido
Boa parte do vencimento nasce na compra. Comprar mais do que se vende antes do vencimento é perda contratada. Três ajustes reduzem o problema:
- Calcule o ponto de pedido pelo giro real. A quantidade de reposição deve caber no tempo de validade com folga. O artigo sobre estoque mínimo e ponto de pedido traz a fórmula.
- Exija validade mínima no recebimento. Combine com o fornecedor um prazo restante mínimo na entrega e recuse lotes fora do acordo no ato do recebimento.
- Negocie troca ou devolução. Alguns fornecedores aceitam trocar produto próximo do vencimento; esse acordo precisa estar por escrito e ter nota fiscal de devolução quando houver retorno da mercadoria.
Quando o produto vence mesmo assim
Separe, identifique e não venda. Se voltar ao fornecedor, emita a nota de devolução; o passo a passo está no artigo sobre nota fiscal de devolução. Se for descartado, a baixa fiscal da perda tem regras próprias de nota e de estorno de crédito, explicadas no artigo sobre nota de perda, roubo e deterioração. Confirme o tratamento com a contabilidade antes do primeiro lançamento.
Erros comuns no controle de validade
- Confiar só na memória do repositor sobre o que vence.
- Cadastrar o produto sem campo de lote, o que obriga a misturar lotes com validades diferentes no mesmo saldo.
- Usar PEPS em perecível por hábito, sem olhar a data impressa.
- Fracionar ou abrir embalagem sem etiquetar a nova validade, contra o que a RDC 216/2004 pede no item 4.8.6.
- Jogar o vencido fora sem registrar, o que esconde a perda e distorce o CMV.
- Deixar a ronda de vencimentos para "quando der tempo".
Lote e validade no mesmo estoque das vendas
O Beevix tem controle de lote e validade no estoque: o vencimento entra no recebimento e acompanha o saldo que o PDV e as vendas baixam. Um especialista mostra como configurar para a sua operação.
Ver planos do Beevix →Fontes oficiais
- Lei nº 8.078/1990 (Código de Defesa do Consumidor), art. 18, § 6º, Planalto, consultado em 05/10/2026.
- Anvisa, Resolução RDC nº 216/2004 (boas práticas para serviços de alimentação), itens 4.7.4, 4.7.5, 4.8.6 e 4.9.1, Biblioteca Virtual em Saúde, consultado em 05/10/2026.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre PEPS e PVPS?
No PEPS sai primeiro o que entrou primeiro no estoque. No PVPS sai primeiro o que vence primeiro, mesmo que tenha chegado depois. Para produto com validade, o PVPS evita que um lote mais curto fique para trás e vença na prateleira.
PVPS e FEFO são a mesma coisa?
Sim. FEFO é a sigla em inglês (first expired, first out) para a mesma regra do PVPS: a saída segue a data de validade do lote.
A lei obriga a usar PVPS?
Para serviços de alimentação, a RDC 216/2004 da Anvisa diz que a utilização das matérias-primas deve respeitar o prazo de validade e que a ordem de entrada vale para os itens dispensados de indicar validade. Para o varejo em geral, o CDC proíbe vender produto vencido, e o PVPS é a forma prática de cumprir isso.
Posso usar PEPS no custo e PVPS na prateleira?
Pode. O método de custeio do estoque é uma escolha contábil feita com o contador; a ordem física de saída é uma regra de operação. Os dois não precisam ser iguais.
O que fazer com produto que venceu no estoque?
Separe e identifique o lote, não venda e decida a destinação: devolução ao fornecedor com nota fiscal, quando houver acordo, ou descarte com registro da perda. O tratamento fiscal da perda deve ser confirmado com a contabilidade.
Próximo passo
Escolha os vinte perecíveis que mais vencem na sua loja, registre lote e validade deles na próxima entrada e faça a primeira ronda de vencimentos na semana que vem. Se quiser o controle de lote e validade ligado às vendas, conheça o controle de lote e validade do Beevix, veja os planos do Beevix e fale com um especialista; a página de supermercados e alimentação mostra como o sistema atende o setor, entre os demais segmentos atendidos.
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