Artigo
Nota fiscal de importação: CFOP 3102, campos e ICMS
Quando emitir a NF-e de entrada da importação, qual CFOP usar, os campos da DI e como calcular o ICMS por dentro, com um exemplo numérico real.

A nota fiscal de importação é a NF-e de entrada que o próprio importador emite quando a mercadoria vinda do exterior entra no estabelecimento. Para mercadoria destinada à revenda, o CFOP é o 3102; para insumo de produção, o 3101. A nota leva os dados da declaração de importação e o ICMS calculado sobre o valor aduaneiro somado aos tributos e despesas da importação.
Ela existe porque o fornecedor estrangeiro não emite NF-e brasileira. Quem documenta a entrada é o importador, como prevê o art. 54, V, do Convênio SINIEF s/nº de 1970: o contribuinte emite nota fiscal sempre que entrarem em seu estabelecimento bens ou mercadorias "importados diretamente do exterior".
Este guia mostra o CFOP certo para cada destino da mercadoria, os campos específicos da importação na NF-e, como montar a base do ICMS e um exemplo numérico. As alíquotas e benefícios variam por estado e por produto; a parametrização final precisa ser feita com a contabilidade ou o despachante.
Qual CFOP usar na nota de importação
Os CFOPs iniciados por 3 classificam as entradas do exterior. O que define o código é o destino da mercadoria dentro da empresa.
| Destino da mercadoria importada | CFOP de entrada | Descrição na tabela do Confaz |
|---|---|---|
| Revenda | 3102 | Compra para comercialização |
| Industrialização ou produção rural | 3101 | Compra para industrialização ou produção rural |
| Ativo imobilizado (máquina, equipamento) | 3551 | Compra de bem para o ativo imobilizado |
| Uso ou consumo do estabelecimento | 3556 | Compra de material para uso ou consumo |
| Outras entradas sem código específico | 3949 | Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada |
Na revenda posterior, a saída segue os códigos normais de venda, como 5102 no mesmo estado ou 6102 para outro estado. A página do CFOP 5102 traz a descrição oficial do código de revenda.
Quando emitir: depois do desembaraço
Pela Lei Complementar 87/96, o fato gerador do ICMS na importação ocorre no desembaraço aduaneiro (art. 12, IX). O § 2º do mesmo artigo determina que a entrega da mercadoria pelo depositário só seja autorizada mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto, salvo disposição em contrário. A sequência prática fica assim:
- registro da declaração de importação e pagamento dos tributos federais;
- recolhimento do ICMS da importação (ou comprovação de exoneração, quando houver);
- desembaraço e liberação da carga;
- emissão da NF-e de entrada pelo importador, que acompanha o transporte do porto, aeroporto ou recinto até o estabelecimento.
Quando a carga sai do recinto em várias viagens, a forma de documentar cada remessa (nota global e notas de remessa, por exemplo) é definida pela legislação do estado do importador. Confirme o procedimento com a SEFAZ ou com a contabilidade antes da primeira operação.

Campos da importação na NF-e
O Manual de Orientação do Contribuinte (MOC) da NF-e tem um grupo próprio para importação, chamado DI, preenchido em cada item. Os principais campos são:
- nDI e dDI: número e data de registro do documento de importação;
- xLocDesemb, UFDesemb e dDesemb: local, UF e data do desembaraço;
- tpViaTransp: via de transporte internacional (marítima, aérea, rodoviária etc.);
- vAFRMM: valor do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante, obrigatório quando a via é marítima. Sem ele, a nota cai na rejeição 330;
- tpIntermedio: importação por conta própria, por conta e ordem ou por encomenda. Nos dois últimos casos, o CNPJ e a UF do adquirente ou encomendante passam a ser obrigatórios;
- adi: número da adição, sequência do item e código do fabricante estrangeiro.
No cabeçalho, a nota é de entrada e o destino da operação é "operação com exterior". O fornecedor estrangeiro aparece como destinatário, com município "EXTERIOR" e UF "EX", conforme o MOC. Com a adoção da Duimp no lugar da DI, os dados do documento de importação seguem indo para o mesmo grupo; confira a nota técnica vigente no Portal da NF-e.
Mercadoria importada com custo certo no estoque
Registre a entrada com os tributos da importação e veja o custo real de cada item antes de definir o preço de venda.
Ver planos do Beevix →Como calcular o ICMS da importação
O art. 13, V, da LC 87/96 diz que a base de cálculo do ICMS na importação é a soma de:
- valor da mercadoria constante dos documentos de importação;
- Imposto de Importação;
- IPI;
- IOF-câmbio;
- quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras.
Além disso, o § 1º, I, do mesmo artigo manda incluir na base o montante do próprio imposto. É o chamado cálculo "por dentro": divide-se a soma por (1 − alíquota) antes de aplicar a alíquota.
Exemplo com valores
Exemplo da Redação Beevix (2026), com valores e alíquota hipotéticos, só para mostrar a conta. Uma importadora traz mercadoria para revenda e a alíquota interna do ICMS no exemplo é de 18%.
| Componente | Valor |
|---|---|
| Valor aduaneiro da mercadoria | R$ 10.000,00 |
| Imposto de Importação | R$ 1.600,00 |
| IPI | R$ 1.160,00 |
| PIS-Importação | R$ 210,00 |
| Cofins-Importação | R$ 965,00 |
| Taxas e despesas aduaneiras | R$ 185,00 |
| Soma antes do ICMS | R$ 14.120,00 |
| Base do ICMS (14.120,00 ÷ 0,82) | R$ 17.219,51 |
| ICMS (18% da base) | R$ 3.099,51 |
Conta conferida: 10.000 + 1.600 + 1.160 + 210 + 965 + 185 = 14.120; 14.120 ÷ 0,82 = 17.219,51; 17.219,51 × 0,18 = 3.099,51. Note que o ICMS sobre a soma "por fora" seria de R$ 2.541,60. A diferença de R$ 557,91 é o efeito do cálculo por dentro, que pega muita gente de surpresa na primeira importação.
"Na importação, o preço da fatura é só o ponto de partida. O custo de verdade aparece quando todos os tributos e despesas entram na nota de entrada." — Equipe Beevix, redação fiscal
Os valores dos tributos federais e das despesas vêm do documento de importação e dos comprovantes do despacho. Não estime: copie os valores oficiais. Na NF-e, eles aparecem nos campos de cada imposto e em "outras despesas", conforme orientação da contabilidade.
Como emitir a nota fiscal de importação em 6 passos
- Reúna os documentos. Declaração de importação ou Duimp, comprovantes dos tributos federais, guia do ICMS, fatura comercial e conhecimento de transporte.
- Cadastre o fornecedor estrangeiro. Nome, endereço no exterior, país, município "EXTERIOR" e UF "EX".
- Crie a natureza "Compra para comercialização — importação". Vincule o CFOP 3102 (ou 3101, 3551, 3556, conforme o destino).
- Lance os itens com NCM e quantidades da declaração. Cada item recebe o grupo DI, com as adições correspondentes.
- Informe os tributos. Imposto de Importação, IPI, PIS, Cofins e ICMS, com bases e valores conforme os comprovantes.
- Transmita e acompanhe a carga. A NF-e autorizada acompanha o transporte até o estabelecimento. Na chegada, confira as quantidades antes de dar entrada no estoque.

Custo da mercadoria importada e preço de venda
O custo de aquisição de um importado vai muito além do valor na fatura. Frete internacional, seguro, tributos não recuperáveis e despesas de despacho entram na conta, e o tratamento dos créditos depende do regime tributário. Empresas do Simples Nacional, por exemplo, não se apropriam de créditos de ICMS (art. 23 da LC 123/2006), então o ICMS pago na importação compõe o custo.
Com o custo certo, a formação de preço fica confiável. O guia de preço de venda com impostos e margem mostra o passo seguinte. Empresas que importam com frequência encontram material específico na página para importadoras, e os demais setores atendidos estão em segmentos.
Erros comuns na nota de importação
- usar 3102 para mercadoria que vai virar matéria-prima (o certo é 3101);
- calcular o ICMS "por fora" e recolher a menor;
- esquecer o AFRMM em carga que veio por navio;
- marcar importação por conta própria quando a operação é por conta e ordem de terceiro;
- dar entrada no estoque com o valor da fatura em moeda estrangeira, sem os tributos e despesas que compõem o custo.
Fontes oficiais
- Convênio s/nº de 15/12/1970 (SINIEF), art. 54, V — nota fiscal na entrada de importados — Confaz, consultado em 02/10/2026
- Tabela CFOP (Anexo II, redação do Ajuste SINIEF 03/24) — CFOP 3.101, 3.102, 3.551, 3.556 e 3.949 — Confaz, consultado em 02/10/2026
- Lei Complementar 87/1996, art. 12, IX e § 2º, e art. 13, V e § 1º, I — Planalto, consultado em 02/10/2026
- Lei Complementar 123/2006, art. 23 — Planalto, consultado em 02/10/2026
- Portal Nacional da NF-e — MOC 7.0, grupo I01 (Declaração de Importação) e regras de validação — consultado em 02/10/2026
Perguntas frequentes
Quem emite a nota fiscal de importação?
O próprio importador. Como o fornecedor no exterior não emite NF-e brasileira, o Convênio SINIEF s/nº de 1970 (art. 54, V) obriga o contribuinte a emitir nota de entrada para bens e mercadorias importados diretamente do exterior.
Qual a diferença entre CFOP 3101 e 3102?
O 3102 é compra do exterior para comercialização, ou seja, mercadoria que será revendida. O 3101 é compra para industrialização ou produção rural, usada quando o item importado vira insumo de um produto fabricado pela empresa.
O ICMS da importação entra na própria base de cálculo?
Sim. A LC 87/96 (art. 13, § 1º, I) manda incluir o montante do próprio imposto na base, inclusive na importação. Por isso a soma dos valores é dividida por (1 − alíquota) antes de aplicar a alíquota.
A nota de importação é emitida antes ou depois do desembaraço?
Em regra, depois. O fato gerador do ICMS é o desembaraço aduaneiro, e a mercadoria só é entregue com a comprovação do pagamento do imposto. A NF-e de entrada então acompanha o transporte até o estabelecimento.
Empresa do Simples Nacional pode importar e emitir essa nota?
Pode. O procedimento da NF-e de entrada é o mesmo. A diferença está nos créditos: no Simples Nacional não há apropriação de crédito de ICMS, e o imposto pago na importação passa a integrar o custo da mercadoria.
Próximo passo: monte a planilha de custo da primeira importação
Antes de fechar o pedido no exterior, simule com a contabilidade ou o despachante todos os tributos e despesas e calcule o custo por unidade. Depois, registre a entrada com esses valores e defina o preço. Conheça os planos e preços do Beevix ou faça o teste grátis de 30 dias, sem cartão.
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