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Crediário próprio na loja: como montar e controlar

Como fazer crediário próprio: política de crédito, cadastro, regras do CDC, nota fiscal, cobrança e quanto dinheiro fica na rua, com exemplo de cálculo.

Equipe Beevix9 min de leitura
Dono de loja de móveis atende uma cliente idosa no balcão com o caderno aberto
Dono de loja de móveis atende uma cliente idosa no balcão com o caderno aberto

Para saber como fazer crediário próprio, pense em quatro peças: uma política de crédito escrita (quem pode comprar, com que limite e com que entrada), um cadastro com documento e consulta de crédito, um contrato ou carnê que informe ao cliente o preço à vista, o número de parcelas, os acréscimos e o total a pagar, e uma rotina de cobrança com contas a receber por cliente. A loja vende, emite a nota pelo valor da venda e passa a ser a credora: se o cliente não pagar, o prejuízo é dela. Por isso o crediário começa pequeno, com limite baixo e cliente conhecido, e cresce conforme o histórico de pagamento.

No Natal, o crediário volta à conversa porque muito cliente quer parcelar sem ter limite no cartão. Este guia mostra como montar o crediário passo a passo, o que o Código de Defesa do Consumidor exige, quanto dinheiro fica "na rua" e como controlar a carteira sem se perder em fichas de papel.

O que é crediário próprio e quando vale a pena

Crediário próprio é a venda parcelada em que a própria loja financia o cliente, sem banco nem administradora de cartão no meio. O cliente leva o produto e paga em parcelas, normalmente por carnê, boleto ou Pix, direto para a loja.

PontoCrediário próprioCartão parcelado
Quem assume o caloteA lojaA administradora do cartão
Quando a loja recebeA cada parcela pagaPor parcela ou antecipado, com desconto
Custo diretoCobrança, boletos, consulta de crédito e capital paradoTaxa da maquininha e antecipação
Quem é atendidoTambém quem não tem cartão ou limiteSó quem tem limite disponível
RelacionamentoO cliente volta à loja para pagarTermina no caixa

Faz sentido para lojas de bairro com clientela fixa, como móveis, eletro, roupas, calçados, material de construção e ótica, onde o vendedor conhece o cliente e a recompra é frequente. Faz pouco sentido para venda de ocasião, cliente de passagem ou ticket muito baixo, em que o custo de cobrar supera a margem.

Passo a passo para montar o crediário

1. Escreva a política de crédito

Uma página basta. Defina: documentos exigidos, comprovante de renda e de endereço, consulta a birô de crédito (se você contratar uma), limite inicial, entrada mínima, número máximo de parcelas, data de vencimento e o que acontece no atraso. Política escrita evita o "para esse eu libero" que vira inadimplência.

2. Monte o cadastro do cliente

Nome, CPF, endereço, telefone, referência e limite aprovado. A LGPD (Lei 13.709/2018, art. 7º, X) admite o tratamento de dados pessoais para a proteção do crédito, mas os dados precisam ser guardados com segurança e usados só para isso. A planilha de cadastro de clientes serve de ponto de partida.

3. Defina limite e entrada

Comece com limite baixo, por exemplo uma ou duas vezes o valor médio de compra da sua loja, e aumente a cada carnê quitado em dia. Entrada de 20% a 30% reduz o risco e testa a disposição de pagar. Esses números são referência de mercado, não regra: ajuste à sua margem e ao seu público.

4. Formalize a venda

Use contrato simples, carnê ou nota promissória. O documento precisa trazer as informações do art. 52 do CDC, que estão na próxima seção. A modelo de nota promissória ajuda na formalização da dívida.

5. Emita a nota fiscal da venda

A nota sai no momento da venda, pelo valor total, mesmo que o pagamento venha em parcelas. Na NFC-e e na NF-e, o leiaute tem a forma de pagamento "Crédito Loja" (código 05 do campo tPag), que é a que identifica o crediário próprio.

6. Lance as parcelas em contas a receber

Cada parcela vira um título com cliente, valor e vencimento. É isso que permite saber, no dia 10, quem está atrasado, e no fim do mês, quanto vai entrar.

7. Organize a cobrança

Lembrete antes do vencimento, contato no dia seguinte ao atraso e negociação a partir de alguns dias. Ofereça formas de pagamento que não exijam ir à loja, como boleto ou Pix com QR Code por parcela.

Dona de loja de roupas revisa a lista de clientes no notebook

O que o Código de Defesa do Consumidor exige

Crediário é venda a prazo com outorga de crédito ao consumidor. O CDC traz regras diretas para isso:

RegraOnde estáNa prática
Informação préviaArt. 52, I a VAntes da venda, informar preço à vista, juros de mora e taxa efetiva anual de juros, acréscimos, número e periodicidade das parcelas e total a pagar com e sem financiamento
Multa de atrasoArt. 52, § 1ºNo máximo 2% do valor da parcela
Quitação antecipadaArt. 52, § 2ºO cliente pode antecipar, com redução proporcional dos juros e acréscimos
Cobrança sem constrangimentoArt. 42Nada de expor o cliente, ligar para o trabalho para envergonhar ou ameaçar
Dados no documento de cobrançaArt. 42-ANome, endereço e CNPJ da loja em todo boleto, carnê ou aviso
NegativaçãoArt. 43, § 2ºA abertura de cadastro negativo precisa ser comunicada por escrito ao consumidor

Sobre juros: a loja não é banco, e a cobrança de juros remuneratórios por empresa que não é instituição financeira tem limites legais e discussão jurídica. Muitas lojas trabalham com preço a prazo informado de forma clara (preço à vista e preço parcelado lado a lado), sem chamar o acréscimo de juros bancários. Antes de definir a sua regra de acréscimo e de juros de mora, valide com o contador ou com um advogado.

"Crediário bom é o que o dono consegue enxergar: quem deve, quanto, desde quando. Ficha de papel na gaveta não mostra isso." Equipe Beevix, redação de gestão

Quanto dinheiro fica na rua: exemplo

Exemplo da Redação Beevix (2026). Uma loja de móveis vende R$ 6.000,00 por mês no crediário, sempre em 5 parcelas mensais iguais, a primeira em 30 dias, sem acréscimo. Depois de alguns meses nesse ritmo, quanto ela tem a receber logo depois de fechar as vendas do mês?

Vendas do mêsParcelas ainda em abertoValor em aberto
Mês atual5 de R$ 1.200,00R$ 6.000,00
1 mês atrás4 de R$ 1.200,00R$ 4.800,00
2 meses atrás3 de R$ 1.200,00R$ 3.600,00
3 meses atrás2 de R$ 1.200,00R$ 2.400,00
4 meses atrás1 de R$ 1.200,00R$ 1.200,00
Total a receberR$ 18.000,00

Conta: R$ 6.000,00 ÷ 5 = R$ 1.200,00 por parcela. 6.000 + 4.800 + 3.600 + 2.400 + 1.200 = R$ 18.000,00. Ou seja, três meses de vendas do crediário ficam permanentemente financiando clientes. Se 5% desse saldo atrasar, são R$ 900,00 a menos no caixa naquele mês. Esse dinheiro precisa vir de algum lugar, e é por isso que o crediário pede capital de giro calculado antes de crescer.

Cliente assina documento no balcão de uma loja de bairro
Na prática

Cada parcela vira conta a receber

No Beevix, as vendas a prazo entram em contas a receber, título por título, com cobrança por boleto, Pix ou link, e a nota da venda sai no mesmo sistema.

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Como controlar o crediário sem perder dinheiro

  • Relatório de vencidos toda semana. Quem atrasou, quanto e há quantos dias. Quanto antes o contato, maior a chance de receber.
  • Limite que cresce com o histórico. Cliente que quitou dois carnês em dia ganha mais limite. Quem atrasou, não.
  • Nova compra só com o carnê em dia. A regra mais simples e a que mais protege a loja.
  • Percentual de inadimplência por mês de venda. Se as vendas de um mês atrasam mais que as outras, o critério de aprovação naquele período afrouxou.
  • Teto da carteira. Defina quanto a loja aguenta ter na rua. Passou disso, suspenda novas aprovações.
  • Cobrança registrada. Anote cada contato e acordo. Isso evita cobrar quem já pagou, o que pode gerar devolução em dobro (art. 42, parágrafo único).

Para medir o atraso da carteira, o verbete de inadimplência explica os indicadores. Quem cobra mensalidade em vez de carnê pode aproveitar o guia de cobrança recorrente por boleto, Pix e cartão. E se o objetivo é parcelar sem assumir o risco, compare com o Pix parcelado, em que o banco do cliente financia e a loja recebe à vista.

Crediário próprio x alternativas

  • Boleto parcelado emitido pela loja: é um crediário com cobrança bancária. O risco continua da loja, mas a baixa do pagamento é automática.
  • Pix parcelado pelo banco do cliente: a loja recebe à vista e não tem risco. Depende de o banco do cliente oferecer.
  • Cartão parcelado: sem risco de calote para a loja, com taxa por venda.
  • Financeira parceira: a financeira aprova e paga a loja. Há custo e exigências contratuais.

Muitas lojas combinam: crediário só para cliente antigo com histórico, cartão ou Pix parcelado para os demais.

No Beevix, o financeiro organiza contas a receber por cliente, com cobrança por boleto, Pix e link e conciliação do extrato. Para ver o sistema no seu ramo, consulte os segmentos.

Fontes oficiais

Perguntas frequentes

Preciso de autorização para vender no crediário próprio?

Não é preciso autorização para vender a prazo e receber em parcelas. O cuidado está nas regras de informação e cobrança do CDC e na forma de cobrar acréscimos, que deve ser validada com o contador ou advogado.

Qual a multa máxima por atraso no crediário?

2% do valor da parcela, pelo art. 52, § 1º, do CDC. Os juros de mora e a correção devem estar informados ao cliente antes da venda.

Posso negativar o cliente que não pagou o carnê?

Pode, por meio de um birô de crédito contratado, desde que o consumidor seja comunicado por escrito da abertura do registro (art. 43, § 2º, do CDC) e que a dívida seja real, vencida e com valor correto.

A nota fiscal sai na venda ou a cada parcela paga?

Na venda, pelo valor total. O recebimento das parcelas é financeiro e não gera nova nota. Na NFC-e e na NF-e, a forma de pagamento do crediário é "Crédito Loja".

Como saber se o crediário está dando lucro?

Some a margem das vendas no crediário e subtraia o que deixou de receber, o custo de cobrança e o custo do dinheiro parado na carteira. Se a inadimplência come a margem extra que o crediário trouxe, aperte o critério de aprovação ou reduza o prazo.

Próximo passo: escreva a política antes do Natal

Defina limite, entrada, parcelas e regra de atraso numa página e treine a equipe com ela. Depois, leve as parcelas para contas a receber, não para a gaveta. Para controlar crediário, cobrança e nota fiscal num sistema só, veja os planos do Beevix ou fale com um especialista do Beevix.

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