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Crediário próprio na loja: como montar e controlar
Como fazer crediário próprio: política de crédito, cadastro, regras do CDC, nota fiscal, cobrança e quanto dinheiro fica na rua, com exemplo de cálculo.

Para saber como fazer crediário próprio, pense em quatro peças: uma política de crédito escrita (quem pode comprar, com que limite e com que entrada), um cadastro com documento e consulta de crédito, um contrato ou carnê que informe ao cliente o preço à vista, o número de parcelas, os acréscimos e o total a pagar, e uma rotina de cobrança com contas a receber por cliente. A loja vende, emite a nota pelo valor da venda e passa a ser a credora: se o cliente não pagar, o prejuízo é dela. Por isso o crediário começa pequeno, com limite baixo e cliente conhecido, e cresce conforme o histórico de pagamento.
No Natal, o crediário volta à conversa porque muito cliente quer parcelar sem ter limite no cartão. Este guia mostra como montar o crediário passo a passo, o que o Código de Defesa do Consumidor exige, quanto dinheiro fica "na rua" e como controlar a carteira sem se perder em fichas de papel.
O que é crediário próprio e quando vale a pena
Crediário próprio é a venda parcelada em que a própria loja financia o cliente, sem banco nem administradora de cartão no meio. O cliente leva o produto e paga em parcelas, normalmente por carnê, boleto ou Pix, direto para a loja.
| Ponto | Crediário próprio | Cartão parcelado |
|---|---|---|
| Quem assume o calote | A loja | A administradora do cartão |
| Quando a loja recebe | A cada parcela paga | Por parcela ou antecipado, com desconto |
| Custo direto | Cobrança, boletos, consulta de crédito e capital parado | Taxa da maquininha e antecipação |
| Quem é atendido | Também quem não tem cartão ou limite | Só quem tem limite disponível |
| Relacionamento | O cliente volta à loja para pagar | Termina no caixa |
Faz sentido para lojas de bairro com clientela fixa, como móveis, eletro, roupas, calçados, material de construção e ótica, onde o vendedor conhece o cliente e a recompra é frequente. Faz pouco sentido para venda de ocasião, cliente de passagem ou ticket muito baixo, em que o custo de cobrar supera a margem.
Passo a passo para montar o crediário
1. Escreva a política de crédito
Uma página basta. Defina: documentos exigidos, comprovante de renda e de endereço, consulta a birô de crédito (se você contratar uma), limite inicial, entrada mínima, número máximo de parcelas, data de vencimento e o que acontece no atraso. Política escrita evita o "para esse eu libero" que vira inadimplência.
2. Monte o cadastro do cliente
Nome, CPF, endereço, telefone, referência e limite aprovado. A LGPD (Lei 13.709/2018, art. 7º, X) admite o tratamento de dados pessoais para a proteção do crédito, mas os dados precisam ser guardados com segurança e usados só para isso. A planilha de cadastro de clientes serve de ponto de partida.
3. Defina limite e entrada
Comece com limite baixo, por exemplo uma ou duas vezes o valor médio de compra da sua loja, e aumente a cada carnê quitado em dia. Entrada de 20% a 30% reduz o risco e testa a disposição de pagar. Esses números são referência de mercado, não regra: ajuste à sua margem e ao seu público.
4. Formalize a venda
Use contrato simples, carnê ou nota promissória. O documento precisa trazer as informações do art. 52 do CDC, que estão na próxima seção. A modelo de nota promissória ajuda na formalização da dívida.
5. Emita a nota fiscal da venda
A nota sai no momento da venda, pelo valor total, mesmo que o pagamento venha em parcelas. Na NFC-e e na NF-e, o leiaute tem a forma de pagamento "Crédito Loja" (código 05 do campo tPag), que é a que identifica o crediário próprio.
6. Lance as parcelas em contas a receber
Cada parcela vira um título com cliente, valor e vencimento. É isso que permite saber, no dia 10, quem está atrasado, e no fim do mês, quanto vai entrar.
7. Organize a cobrança
Lembrete antes do vencimento, contato no dia seguinte ao atraso e negociação a partir de alguns dias. Ofereça formas de pagamento que não exijam ir à loja, como boleto ou Pix com QR Code por parcela.

O que o Código de Defesa do Consumidor exige
Crediário é venda a prazo com outorga de crédito ao consumidor. O CDC traz regras diretas para isso:
| Regra | Onde está | Na prática |
|---|---|---|
| Informação prévia | Art. 52, I a V | Antes da venda, informar preço à vista, juros de mora e taxa efetiva anual de juros, acréscimos, número e periodicidade das parcelas e total a pagar com e sem financiamento |
| Multa de atraso | Art. 52, § 1º | No máximo 2% do valor da parcela |
| Quitação antecipada | Art. 52, § 2º | O cliente pode antecipar, com redução proporcional dos juros e acréscimos |
| Cobrança sem constrangimento | Art. 42 | Nada de expor o cliente, ligar para o trabalho para envergonhar ou ameaçar |
| Dados no documento de cobrança | Art. 42-A | Nome, endereço e CNPJ da loja em todo boleto, carnê ou aviso |
| Negativação | Art. 43, § 2º | A abertura de cadastro negativo precisa ser comunicada por escrito ao consumidor |
Sobre juros: a loja não é banco, e a cobrança de juros remuneratórios por empresa que não é instituição financeira tem limites legais e discussão jurídica. Muitas lojas trabalham com preço a prazo informado de forma clara (preço à vista e preço parcelado lado a lado), sem chamar o acréscimo de juros bancários. Antes de definir a sua regra de acréscimo e de juros de mora, valide com o contador ou com um advogado.
"Crediário bom é o que o dono consegue enxergar: quem deve, quanto, desde quando. Ficha de papel na gaveta não mostra isso." Equipe Beevix, redação de gestão
Quanto dinheiro fica na rua: exemplo
Exemplo da Redação Beevix (2026). Uma loja de móveis vende R$ 6.000,00 por mês no crediário, sempre em 5 parcelas mensais iguais, a primeira em 30 dias, sem acréscimo. Depois de alguns meses nesse ritmo, quanto ela tem a receber logo depois de fechar as vendas do mês?
| Vendas do mês | Parcelas ainda em aberto | Valor em aberto |
|---|---|---|
| Mês atual | 5 de R$ 1.200,00 | R$ 6.000,00 |
| 1 mês atrás | 4 de R$ 1.200,00 | R$ 4.800,00 |
| 2 meses atrás | 3 de R$ 1.200,00 | R$ 3.600,00 |
| 3 meses atrás | 2 de R$ 1.200,00 | R$ 2.400,00 |
| 4 meses atrás | 1 de R$ 1.200,00 | R$ 1.200,00 |
| Total a receber | R$ 18.000,00 |
Conta: R$ 6.000,00 ÷ 5 = R$ 1.200,00 por parcela. 6.000 + 4.800 + 3.600 + 2.400 + 1.200 = R$ 18.000,00. Ou seja, três meses de vendas do crediário ficam permanentemente financiando clientes. Se 5% desse saldo atrasar, são R$ 900,00 a menos no caixa naquele mês. Esse dinheiro precisa vir de algum lugar, e é por isso que o crediário pede capital de giro calculado antes de crescer.

Cada parcela vira conta a receber
No Beevix, as vendas a prazo entram em contas a receber, título por título, com cobrança por boleto, Pix ou link, e a nota da venda sai no mesmo sistema.
Ver planos do Beevix →Como controlar o crediário sem perder dinheiro
- Relatório de vencidos toda semana. Quem atrasou, quanto e há quantos dias. Quanto antes o contato, maior a chance de receber.
- Limite que cresce com o histórico. Cliente que quitou dois carnês em dia ganha mais limite. Quem atrasou, não.
- Nova compra só com o carnê em dia. A regra mais simples e a que mais protege a loja.
- Percentual de inadimplência por mês de venda. Se as vendas de um mês atrasam mais que as outras, o critério de aprovação naquele período afrouxou.
- Teto da carteira. Defina quanto a loja aguenta ter na rua. Passou disso, suspenda novas aprovações.
- Cobrança registrada. Anote cada contato e acordo. Isso evita cobrar quem já pagou, o que pode gerar devolução em dobro (art. 42, parágrafo único).
Para medir o atraso da carteira, o verbete de inadimplência explica os indicadores. Quem cobra mensalidade em vez de carnê pode aproveitar o guia de cobrança recorrente por boleto, Pix e cartão. E se o objetivo é parcelar sem assumir o risco, compare com o Pix parcelado, em que o banco do cliente financia e a loja recebe à vista.
Crediário próprio x alternativas
- Boleto parcelado emitido pela loja: é um crediário com cobrança bancária. O risco continua da loja, mas a baixa do pagamento é automática.
- Pix parcelado pelo banco do cliente: a loja recebe à vista e não tem risco. Depende de o banco do cliente oferecer.
- Cartão parcelado: sem risco de calote para a loja, com taxa por venda.
- Financeira parceira: a financeira aprova e paga a loja. Há custo e exigências contratuais.
Muitas lojas combinam: crediário só para cliente antigo com histórico, cartão ou Pix parcelado para os demais.
No Beevix, o financeiro organiza contas a receber por cliente, com cobrança por boleto, Pix e link e conciliação do extrato. Para ver o sistema no seu ramo, consulte os segmentos.
Fontes oficiais
- Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990), arts. 42, 42-A, 43 e 52, Planalto, consultado em 07/10/2026
- Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018), art. 7º, X: tratamento de dados para proteção do crédito, Planalto, consultado em 07/10/2026
- MOC 7.0, Anexo I: leiaute da NF-e e da NFC-e, campo tPag (05 = Crédito Loja), Confaz, consultado em 07/10/2026
Perguntas frequentes
Preciso de autorização para vender no crediário próprio?
Não é preciso autorização para vender a prazo e receber em parcelas. O cuidado está nas regras de informação e cobrança do CDC e na forma de cobrar acréscimos, que deve ser validada com o contador ou advogado.
Qual a multa máxima por atraso no crediário?
2% do valor da parcela, pelo art. 52, § 1º, do CDC. Os juros de mora e a correção devem estar informados ao cliente antes da venda.
Posso negativar o cliente que não pagou o carnê?
Pode, por meio de um birô de crédito contratado, desde que o consumidor seja comunicado por escrito da abertura do registro (art. 43, § 2º, do CDC) e que a dívida seja real, vencida e com valor correto.
A nota fiscal sai na venda ou a cada parcela paga?
Na venda, pelo valor total. O recebimento das parcelas é financeiro e não gera nova nota. Na NFC-e e na NF-e, a forma de pagamento do crediário é "Crédito Loja".
Como saber se o crediário está dando lucro?
Some a margem das vendas no crediário e subtraia o que deixou de receber, o custo de cobrança e o custo do dinheiro parado na carteira. Se a inadimplência come a margem extra que o crediário trouxe, aperte o critério de aprovação ou reduza o prazo.
Próximo passo: escreva a política antes do Natal
Defina limite, entrada, parcelas e regra de atraso numa página e treine a equipe com ela. Depois, leve as parcelas para contas a receber, não para a gaveta. Para controlar crediário, cobrança e nota fiscal num sistema só, veja os planos do Beevix ou fale com um especialista do Beevix.
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