O que é CFOP e como escolher o código certo
CFOP é a sigla de Código Fiscal de Operações e Prestações, um número de 4 dígitos que toda nota fiscal precisa ter para informar à SEFAZ a natureza daquela operação — venda, devolução, transferência, remessa para conserto, entre outras. É esse código, mais do que a descrição do produto, que determina como o imposto vai ser tratado.
O que é CFOP e por que ele existe?
Pensa no CFOP como uma etiqueta obrigatória em toda nota: ela diz ao fisco “isso aqui é uma venda”, “isso é uma devolução” ou “isso é uma transferência entre filiais”. Sem essa etiqueta padronizada, cada empresa descreveria a operação do seu jeito, e a fiscalização não conseguiria cruzar informações entre notas de compra e venda de forma automática.
Por isso o CFOP é definido em tabela nacional, mantida pelo CONFAZ, e usado por todos os estados de forma unificada. O mesmo código de 4 dígitos tem exatamente o mesmo significado em qualquer lugar do Brasil.
Como funciona a lógica dos 4 dígitos?
O primeiro dígito do CFOP já entrega boa parte da informação:
| Primeiro dígito | Tipo de operação | Onde ocorre |
|---|---|---|
| 1 | Entrada / recebimento | Dentro do mesmo estado |
| 2 | Entrada / recebimento | De outro estado |
| 3 | Entrada / recebimento | Do exterior |
| 5 | Saída / envio | Dentro do mesmo estado |
| 6 | Saída / envio | Para outro estado |
| 7 | Saída / envio | Para o exterior |
Ou seja, códigos que começam com 5, 6 ou 7 são usados quando a mercadoria sai do seu estabelecimento — como em uma venda. Códigos que começam com 1, 2 ou 3 são para quando a mercadoria entra, como em uma compra de fornecedor. Os três dígitos seguintes detalham o tipo exato da operação dentro dessa categoria.
Quais os CFOPs mais usados em vendas?
Para quem vende produtos, esses são os códigos que aparecem no dia a dia:
| CFOP | Quando usar |
|---|---|
| 5.101 | Venda de produção própria, dentro do estado |
| 5.102 | Venda de mercadoria adquirida de terceiros (revenda), dentro do estado |
| 6.101 | Venda de produção própria, para outro estado |
| 6.102 | Venda de mercadoria adquirida de terceiros, para outro estado |
| 5.405 | Venda de mercadoria com substituição tributária já retida antes, dentro do estado |
| 6.404 | Venda de mercadoria com substituição tributária, para outro estado |
| 5.949 / 6.949 | Outras saídas não especificadas nos códigos anteriores |
Repare que a diferença entre 5.101 e 5.102, por exemplo, não tem nada a ver com quem é o cliente — tem a ver com a origem do produto que você está vendendo: se você mesmo fabricou (produção própria) ou se comprou pronto para revender. Esse é o erro mais comum de quem começa a emitir nota sem entender a tabela: escolher o CFOP pelo tipo de cliente, quando na verdade ele depende da natureza do produto e do destino da operação.
CFOP e CST/CSOSN andam juntos?
Sim, e isso é importante entender antes de configurar o cadastro de produtos no seu sistema. O CFOP diz o que está acontecendo na operação (venda, devolução, transferência); o CST ou CSOSN diz como o imposto incide naquele item específico. Uma nota pode ter o CFOP certo e o CST/CSOSN errado, ou vice-versa — e os dois precisam ser coerentes entre si para a nota ser aceita sem problemas.
Por exemplo: se o CFOP indica uma venda com substituição tributária (5.405), mas o código de situação tributária do item não reflete isso, a nota pode ser rejeitada ou, pior, aceita com uma tributação incorreta que só vai aparecer como problema mais tarde, numa fiscalização.
Como escolher o CFOP certo no dia a dia?
Na prática, a escolha depende de responder três perguntas sobre a operação:
- É entrada ou saída? Você está vendendo/enviando (saída) ou comprando/recebendo (entrada)?
- Qual o destino? Fica no seu estado, vai para outro estado ou sai do país?
- Qual a natureza específica? É uma venda normal, uma devolução, uma transferência entre filiais, uma remessa para conserto?
A maioria dos sistemas de emissão de nota, incluindo o processo descrito em como emitir nota fiscal eletrônica, já sugere o CFOP mais provável com base no cadastro do produto e no estado do destinatário — mas cabe a quem está vendendo confirmar se aquela sugestão bate com a operação real, principalmente em casos fora do padrão como devolução ou brinde.
O que acontece quando o CFOP está errado?
As consequências variam de acordo com o tipo de erro:
- Incompatibilidade grosseira (por exemplo, usar um código de entrada numa nota de venda): geralmente causa rejeição imediata pela SEFAZ, e a nota nem chega a ser autorizada.
- CFOP tecnicamente válido, mas incoerente com a operação real (por exemplo, usar 5.102 numa venda que deveria ter substituição tributária): a nota pode ser autorizada normalmente, mas gera apuração de imposto incorreta, que só aparece depois — na escrituração fiscal ou numa fiscalização.
- CFOP incompatível com o CST/CSOSN do item: é uma das causas mais comuns de nota fiscal rejeitada, porque a SEFAZ valida a consistência entre os dois campos antes de autorizar.
Por isso vale revisar o CFOP padrão de cada produto no cadastro, especialmente quando a empresa começa a vender para outros estados ou passa a usar substituição tributária em algum item — mudanças que exigem trocar o CFOP configurado, mesmo que o produto continue sendo o mesmo.
CFOP de entrada também importa?
A maior parte deste guia foca em CFOP de saída, porque é o que aparece na hora de emitir nota de venda. Mas o mesmo código de 4 dígitos existe do outro lado da operação: quando você compra mercadoria de um fornecedor, a nota de entrada que chega também traz um CFOP, começando com 1, 2 ou 3.
Esse CFOP de entrada importa porque:
- Ele define se aquela compra dá direito a algum tipo de crédito de imposto, dependendo do regime tributário da empresa;
- Ele ajuda a diferenciar, no seu controle interno, o que foi comprado para revenda do que foi comprado para uso próprio (por exemplo, material de escritório) — distinção que impacta diretamente qual CFOP de saída (5.101 ou 5.102) você vai usar depois, na hora de vender;
- Sistemas de gestão que cruzam nota de entrada com controle de estoque usam esse código para classificar automaticamente o produto que está entrando.
Um erro comum é não prestar atenção ao CFOP que vem na nota do fornecedor e, sem perceber, cadastrar um produto de revenda como se fosse insumo interno — o que só aparece como problema quando chega a hora de emitir a nota de venda correspondente.
CFOP para devolução, transferência e outras operações especiais
Além da venda comum, o dia a dia de uma empresa gera outras operações que também precisam de CFOP específico:
| Situação | CFOP típico | Observação |
|---|---|---|
| Devolução de venda (cliente devolve produto) | 1.202 / 2.202 (entrada) | O CFOP de entrada espelha o de saída original |
| Devolução de compra (você devolve ao fornecedor) | 5.202 / 6.202 (saída) | Usado quando a mercadoria comprada é devolvida |
| Transferência entre filiais da mesma empresa | 5.152 / 6.152 | Não é venda, mas exige nota fiscal igual |
| Remessa para conserto ou industrialização | 5.915 / 6.915 | A mercadoria sai, mas deve voltar depois |
| Bonificação, doação ou brinde | 5.910 / 6.910 | Saída sem cobrança, mas ainda precisa de nota |
Essas operações “fora da venda padrão” são justamente onde mais aparece dúvida sobre qual CFOP usar, porque não são o dia a dia mais comum do negócio. Vale ter essa tabela à mão (ou um sistema que já sugira o código certo) sempre que uma dessas situações raras aparecer.
Erros mais comuns na hora de escolher o CFOP
Alguns padrões de erro se repetem entre quem está começando a emitir nota fiscal:
- Usar CFOP de saída interestadual (6.xxx) numa venda dentro do próprio estado, ou o contrário — geralmente acontece quando o cadastro do cliente está com o estado errado, e o sistema sugere o CFOP com base nesse dado incorreto.
- Confundir devolução de venda com devolução de compra, usando o código de saída quando deveria ser de entrada, ou vice-versa.
- Deixar de atualizar o CFOP padrão do produto quando a empresa passa a vender para um estado novo, ou quando um fornecedor muda a origem do produto de nacional para importado.
- Escolher o CFOP “genérico” (5.949/6.949) por comodidade, mesmo quando existe um código mais específico para aquela operação — isso dificulta a análise fiscal depois e pode não refletir corretamente a natureza da venda.
Revisar esses pontos no cadastro de produtos evita boa parte dos retrabalhos e reduz o risco de gerar uma nota tecnicamente aceita, mas com a tributação errada por trás.
Perguntas frequentes
Qual CFOP usar em venda dentro do estado?
Para venda de mercadoria de produção própria dentro do seu estado, o código é 5.101. Se a mercadoria foi comprada de terceiros para revenda, o correto é 5.102. A diferença entre os dois está na origem do produto, não no tipo de cliente.
CFOP errado cancela a nota?
Nem sempre. Às vezes a SEFAZ aceita a nota mesmo com CFOP incoerente, mas isso pode gerar cobrança de imposto errada ou problemas na escrituração fiscal depois. Em outros casos, a incompatibilidade entre CFOP e outros dados da nota causa rejeição direta na hora de autorizar.
Quem define o CFOP: eu ou o contador?
Na prática, quem opera o dia a dia — você ou seu sistema de emissão — escolhe o CFOP no momento da venda, porque é quem sabe a natureza real da operação. O contador entra para revisar casos atípicos, como transferências, devoluções ou operações interestaduais com substituição tributária.
Fontes oficiais
Versão em texto simples deste guia: /cfop-o-que-e-tabela.md
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